Instituto Tamanduá Synapse Cultural, Oscip
Projeto:
Portal Catalogação e Difusão da
Produção de
Autoria Brasileira em Artes Plásticas
Por Andre Stolarski e Julio Worcman
CC – http://InstitutoTamandua.org.br
Alguns Direitos
Reservados - Consultar
Elementos a serem catalogados e disponibilizados na 1ª fase do projeto:
32.500 obras
10.000 imagens de obras
500 textos críticos
associados
200 mini-biografias de
artistas plásticos catalogados
50 vídeos de esculturas
e instalações
1. O Problema Atual
A
quantidade de informação sobre a arte brasileira desde os tempos da Colônia é
imensa, mas nunca foi organizada de forma sistemática em um banco de dados
centralizado. Excetuando-se a
“Enciclopédia das Artes Visuais”, realizada pelo Instituto Itaú Cultural – com
apenas 3.000 verbetes e foco pouco abrangente – não há uma ferramenta de busca que
possibilite o acesso rápido e simples, em quantidade significativa, a registros
sobre artistas e a imagens de suas obras exibidas em galerias e salões de arte
ou pertencentes aos acervos dos museus e de colecionadores de arte
2. Nossa proposta
A
partir da experiência recente e bem sucedida do projeto Porta-Curtas, que
inaugurou uma forma moderna da catalogação, pesquisa e difusão on-line do
universo de curtas-metragens, com apelo “pop” e excelente retorno de utilização
pelo público leigo e especializado, este projeto criará um banco de dados,
centralizando informações sobre a produção de artes visuais brasileira,
incorporando ferramentas de interatividade e firmando parcerias para
disseminação de seus recursos.
O
serviço será constituído inicialmente por cerca de 30.000 registros, em grande parte ilustrados e comentados, obtidos a partir de
pesquisas e levantamentos desenvolvidos em módulos.
Cerca
de 10% dos registros inicialmente disponibilizados terão fichas e textos
vertidos para o inglês. Assim, o portal atenderá, também, a um número cada vez
maior de estrangeiros interessados na produção brasileira de Artes Plásticas.
O
banco de dados de artes visuais será integrado aos demais setores da produção
cultural brasileira, permitindo o cruzamento de informações sobre artistas
plásticos com manifestações artísticas em diferentes formas de expressão como
cenografia de cinema ou teatro, capas de CDs, arquitetura etc.
O
sistema poderá, ainda, sugerir roteiros temáticos para os diversos níveis de
ensino – educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e ensino superior –, estabelecendo,
inclusive, links com obras de acervos estrangeiros
para a realização de estudos em perspectiva comparada como, por exemplo, o
Barroco no Brasil e as origens italianas do Barroco, origens históricas do
Construtivismo na Europa e as originais contribuições Brasileiras, a Pop Art
nos Estados Unidos e a Nova Figuração Brasileira.
Será
possível visualizar as obras através de fotos e, no caso de objetos
tridimensionais, sob vários ângulos (spin panorama photography).
Também haverá vídeos de obras de grandes volumes instalados em locais públicos,
instalações ou performances, incluindo peças de vídeo-arte.
O
usuário terá à sua disposição informações sobre artistas brasileiros, em
biografias resumidas, e poderá consultar trechos de
textos sobre os artistas específicos, movimentos estéticos e pessoas públicas
ligadas ao mundo das artes.
Para
assegurar desde já a catalografia da produção futura, o portal de Artes
Plásticas vai introduzir ferramentas de inclusão de dados via Internet sobre a
nova produção – evitando a concentração exclusiva de informações sobre a
produção do Sul-Sudeste do País –, a ser feita diretamente pelos agentes do
setor, que receberão senhas para isso. Desse modo, romper-se-ia com a crônica
dispersão de informações sobre a produção brasileira em Artes Visuais.
Para
o resgate da produção realizada no passado, trabalhar-se-ia em duas áreas:
-
Formação de uma rede de
institutos de artes nas universidades e centros de pesquisa, de forma a
introduzir regularmente no banco de dados a produção de pesquisas do setor
acadêmico, criando uma sinergia com os investimentos federais nessas linhas de
trabalho;
-
Sugestão, pelo Conselho
Editorial do portal Artes Plásticas, de temas para lançamento de uma linha
dirigida de editais / concursos do MinC para projetos de pesquisa para catalografia da
produção de Artes de períodos, movimentos ou artistas ainda pouco estudados.
Elementos a serem catalogados e disponibilizados na 1ª
fase do projeto:
32.500 obras
10.000 imagens de obras
500 textos críticos
associados
200
mini-biografias de artistas plásticos catalogados
50 vídeos de
esculturas e instalações
3. Aplicações práticas e
impacto sócio-econômico-cultural
·
Um professor do ensino
médio poderá encontrar, reunir e apresentar a alunos obras de artistas
brasileiros exprimindo conceitos relativos a temas abordados em aulas de
História, Geografia, Literatura etc. Ou poderá usar o portal como um banco de
imagens para ilustrar movimentos e períodos gerais da arte como barroco,
primeiro modernismo, concretismo, neoconcretismo e
outros.
·
Curadores radicados em
qualquer lugar do país poderão planejar rapidamente a montagem e
circulação de exposições, pois estarão disponíveis informações sobre estado de
preservação dessas obras, do espaço necessário para as exposições, da cubagem e
do peso para transporte etc. e o sistema permitirá o contato, sempre que
autorizado, com proprietários ou agentes de obras.
·
Um secretário de cultura
ou diretor de um centro cultural obterá, facilmente, o contato com artistas
plásticos, críticos e historiadores da arte, para convidá-los a participar de
exposições, palestras ou iniciativas no gênero.
·
Apreciadores de arte
poderão pré-selecionar, reunir e arquivar obras de diversos interesses em
“galerias virtuais”, disponibilizando estas “galerias particulares” para amigos
e demais interessados. Também poderão comentar a obra
de artistas e ler comentários de outros usuários, o que permite a troca de
conhecimento sobre o setor.
·
Uma pessoa que ainda não
acompanha o circuito das artes plásticas, mas gostou de uma exposição bem
divulgada, poderá conhecer melhor galerias, museus,
centros culturais e colecionadores, além de profissionais envolvidos
indiretamente com a produção visual brasileira, como é o caso dos críticos e
historiadores da arte, produtores de exposição e assessores de imprensa ligados
ao setor.
·
Marchans e curadores estrangeiros conhecerão a produção dos
artistas nacionais, através da versão em inglês do site.
Assim, poderão contactar artistas, galerias ou
colecionadores para compra de obras ou inclusão em exposições temporárias.
·
O morador de uma cidade
do interior poderá acompanhar a programação em galerias brasileiras e saber a
agenda de exposições de artistas em destaque, através de notícias publicadas no
portal e de newsletters enviadas para cadastrados.
4. Contexto
As
artes visuais brasileiras são cada vez mais reconhecidas no exterior. A realização de exposições retrospectivas
como as de Hélio Oiticica e Lygia Clark na Europa e nos Estados Unidos fez com
que conceituados críticos de arte, como Guy Brett, Dawn Ades,
Catherine David e Mari-Carmen Ramírez, entre outros,
se debruçassem sobre nossa produção contemporânea e identificassem o Brasil
como um pólo de produção de conhecimento absolutamente original – fizemos uma
leitura muito particular do construtivismo, através dos movimentos
concreto e neoconcreto, nos anos 50 e, hoje,
alguns artistas brasileiros contemporâneos ocupam espaços privilegiados no
mundo inteiro. Assiste-se, igualmente, ao amadurecimento de uma nova geração de marchands que participam regularmente de grandes
feiras internacionais.
A origem da produção
visual brasileira é, no entanto, muito mais remota. Mesmo antes da chegada dos
portugueses, diversas nações indígenas realizavam peças de arte que hoje são
estudadas não só por causa de seus significados antropológicos, mas também por
sua qualidade e originalidade plásticas. Além de importantes estudos sobre o
Barroco, há muitas pesquisas disponíveis sobre os pintores viajantes, pesquisas
que são fundamentais para se entender o amadurecimento da arte visual nacional,
já que esses pintores foram os primeiros a registrarem a paisagem e os tipos
étnicos de nosso território. Há também muitos estudos sobre o século XIX,
período marcado pela chegada da Missão Francesa e pela fundação da Academia de
Belas Artes.
No século XX, a
realização da Semana de Arte Moderna, em 1922, as divergências entre alguns
pintores cariocas e paulistas e os preceitos da Academia produzem
transformações decisivas na arte brasileira. Nos anos 30 e 40, observa-se que o
modernismo se desenvolve e amadurece.
Os anos 50 são
fundamentais para a compreensão de nossa produção contemporânea. A
industrialização promovida pelo governo Juscelino Kubitscheck, um entusiasta da
arquitetura moderna, reforça tendências construtivas principalmente em cidades
como São Paulo e Rio de Janeiro. A longo prazo, esses movimentos construtivistas
contribuiriam para a valorização e a profissionalização de artistas e para a
inserção do Brasil no roteiro internacional de exposições.
Nas últimas quatro
décadas, a arte brasileira passou por várias transformações e desenvolveu
diversas tendências, firmando-se como referência pela qualidade e a
originalidade de seus criadores. As obras de expoentes dos anos 60 são
solicitadas por grandes museus do mundo para compor seus acervos ou
participarem de exposições temporárias.
A Bienal de São Paulo,
os Salões de Arte (como o Nacional – atualmente interrompido – os da Bahia e
Belém do Pará), os artistas que freqüentaram a Escola de Artes Visuais do Rio
de Janeiro (Parque Lage), e as turmas formadas por
cursos como os da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (EBA-UFRJ), da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São
Paulo (ECA-USP) e da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo,
demonstram que a arte brasileira é algo vivo, em processo, com uma renovação
constante em seus quadros de criadores.
Equipe sugerida
Conselho Editorial (nomes sugeridos):
Paulo Herkenhoff (diretor do Museu Nacional de Belas Artes,
ex-curador do MoMA e
ex-curador da Bienal de São Paulo)
Márcio
Meira (Secretário de Museus e Patrimônio do MinC)
Glória
Ferreira (crítica de arte e professora da Escola de Artes Visuais da UFRJ)
Agnaldo Farias (crítico de
arte, diretor do Instituto Tomie Ohtake e ex-curador da Bienal de São Paulo)
Fernando Cocchiarale (diretor do Museu de Arte Moderna do Rio
de Janeiro e ex-diretor de Artes Visuais da Funarte)
Ileana Pradilla Cerón (crítica de arte e ex-diretora de artes visuais
do RioArte) Adolpho Leirner (colecionador);
Paulo Sergio Duarte (crítico de arte)
Angelo Venosa (artista
plástico)
Por Andre Stolarski e Julio Worcman
CC – http://InstitutoTamandua.org.br
Alguns Direitos
Reservados - Consultar
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